In den 80er Jahren war der semiaride Nordosten Brasiliens von der sogenannten „Baumwollkrise“ schwer betroffen. Die Plagen führten zu fortdauernden Ernteverlusten und schädigten sehr stark die Wirtschaftsweise der Kleinbauern, die vorwiegend vom Baumwollanbau leben. Damit wurde der Anbau der beständigen traditionellen Baumwollsorte „mocó“ praktisch unmöglich.

Organic Cotton Colours hat sich stets für die Wiederherstellung dieser natürlichen Form des Baumwollanbaus eingesetzt – heute eine überaus schwere Aufgabe. Aus der Mocó-Baumwolle lässt sich eine besonders lange und feine Faser überlegener Qualität gewinnen, und die Pflanze produziert fünf Jahre lang, ohne sie ausreißen zu müssen. Das folgende, tief in ihrer Heimaterde verankerte Gedicht ist eine Hommage an Mocó.

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Vou visitar teu passado Pra te fazer meu Xodó Oh, meu amado Mocó Serás por nós abraçado Por todos nós cultivado Com muito amor e paixão Te farei uma canção E cantando firmemente Plantarei tua semente Nas terras do coração

Plantado de canto a canto Do Sertão ao Cariri Na minha infância, eu vi Era um verdadeiro encanto O seu vigor era tanto Causava admiração Feito neve pelo chão Enchendo a vista da gente Plantarei tua semente Nas terras do coração

Terras sãs, ensolaradas Nutriam tuas raízes Muitas famílias felizes Com suas mãos calejadas Foram beneficiadas Com capuchos de algodão Ouro branco da nação Que me fazia contente Plantarei tua semente Nas terras do coração

Mas tudo isso cessou Veio um desgosto profundo Parecia o fim do mundo Quando o Bicudo “chegou” Nisso, a crise se alastrou Feito larva de vulcão E essa destruição Deixou minh’alma doente Plantarei tua semente Nas terras do coração

Suspeito que esse terror Que “chegou” em nosso meio Tô quase certo que veio Na maleta de um Doutor Que nutria desamor Pela nossa região Mas eu tenho a solução Gravada na minha mente Plantarei tua semente Nas terras do coração

O exemplo quem me deu Foi quem superou a tudo Prum “Batalhão de Bicudo” O Mocó não se rendeu Seu plantio arrefeceu Mas o seu espírito, não Ante as garras da extinção Resistiu valentemente Plantarei tua semente Nas terras do coração

Homens, ditos da ciência, Te deram as costas, coitado! Por muitos, abandonado Sem chance de permanência Porém tua resistência Comparada à de um leão Mantém, teu legado, são Com um futuro latente Plantarei tua semente Nas terras do coração

Mas tu não foste esquecido Vives na minha lembrança Com saudade e esperança Durmo, contigo, vestido Por ti acordo aquecido Rezando a minha oração Começo a minha função Vestido, por ti, somente Plantarei tua semente Nas terras do coração

Não clamo, não desespero E sem razão pra chorar Já parei de lamentar Volta pra mim, que te quero Se é por ti, eu espero Trajado de emoção Pra receber um irmão Que me ama eternamente Plantarei tua semente Nas terras do coração

Aqui, acolá, além Há um novo movimento Eu tomei conhecimento Que muitos te querem bem Tô nesse meio também Quer haja chuva ou verão Farei nova plantação Para tê-lo novamente. Plantarei tua semente Nas terras do coração

Quando vou pro meu roçado Que vejo você florindo Eu vou e volto sorrindo Com você, sonho acordado Pois estou enamorado E, quando me deito, então Me vem a inspiração Pra mudar o meu presente Plantarei tua semente Nas terras do coração

O Mocó, que não perdeu A guerra contra essa “praga”, É chama que não se apaga É sonho que não morreu. Como a Fênix, renasceu Das cinzas, brasa e carvão Forte tal qual Lampião, O cangaceiro valente, Plantarei tua semente Nas terras do coração

Meus irmãos, agricultores O Mocó, vamos plantar Ouro branco, semear Ouvindo nossos cantores Lembrando nossos amores Lançando, outra vez, no chão As ‘sementes da paixão’ Continuando a corrente Plantarei tua semente Nas terras do coração

Quem já teve tanta glória Quem, muitas vidas, criou Quem riqueza já gerou Quem tem lugar na história Já gravada na memória Do povo do meu Sertão Que se veste de algodão É amado eternamente Plantarei tua semente Nas terras do coração

Unser inniger Dank und Respekt gilt den beiden Autoren dieser Verse, dem Philosophen José de Souza Silva und dem Dichter Oliveira de Panelas (ausgezeichnet als bester repentista-Dichter Brasiliens).